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terça-feira, 5 de julho de 2011

Artigos da Library Trends

Na minha exaustiva pesquisa bibliográfica, encontrei artigos muito interessantes do começo da abordagem biblioterapêutica na realizadade bibliotecária. A revista Library Trends do ano de 1962 publicou artigos com tema Bibliotherapy. São 11 artigos muito interessantes que abordam desde a história até a aplicação da biblioterapia de interesse aos profissionais da informação.


Informações:
Revista: Library Trends
Volume: 11
Número: 2
Ano: 1962
Tema: Bibliotherapy
Editor: Ruth M. Tews

Artigos:
  1. A historical review of bibliotherapy / William K. Beatty p.106
  2. Bibliotherapy and reading guidance: a tentative approach to theory / Evalene P. Jackson p.118
  3. The bibliotherapy program: requirements for training / Margaret M. Kinney p.127
  4. Bibliotherapy: projects and studies with the mentally ill patient / Artemisia J. Junier p.136
  5. Bibliotherapy: modern concepts in general hospitals and other institutions / Mildred T. Moody p.147
  6. Bibliotherapy and psychotherapy / Edwin F. Alston p.159
  7. Bibliotherapy and the clinical psychologist / John S. Pearson p.177
  8. The librarian in bibliotherapy: pharmacist or bibliotherapist? / Margaret C. Hannigan p.184
  9. Bibliotherapy: its use in nursing therapy / Dorothy Mereness p.199
  10. The role of the occupational therapist as related to bibliotherapy / Inez Huntting p.207
  11. The questionnaire on bibliotherapy / Ruth M. Tews p.217
Uma fonte de informação muito importante são as referências bibliográficas dos livros e artigos que se consulta. Apesar de ser uma referência mais antiga, vale a pena consultar e entender a evolução do tema escolhido.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Livros sobre Biblioterapia no Brasil

No exterior, a abordagem da biblioterapia é mais frequente. Nos Estados Unidos, por exemplo, vê-se a abrangência de livros abordando o assunto. No Brasil, porém, a publicação de livros e artigos científicos sobre este tema ainda é escasso, enquanto que a produção de monografias, dissertações e teses crescem exponencialmente.

Dos livros publicados, conheço cinco. São eles abaixo, com suas respectivas referências bibliográficas, capas e resumos.

CALDIN, Clarice Fortkamp. Biblioterapia: um cuidado com o ser. São Paulo: Porto de Idéias, 2010. 200 p.

A leitura é um fenômeno corporal, temporal, descentrado, intersubjetivo, transcendental. É um ato de comunicação que ultrapassa o corpo do autor e atinge o corpo do leitor ou do ouvinte. A partir da teoria da linguagem de Merleau-Ponty, especificamente a respeito da fala falante, a autora credita à leitura possibilidades terapêuticas. O envolvimento do leitor com o livro, o preenchimento dos vazios do texto literário, a significação como continuidade e retomada do texto, permitem que se pense na terapia por meio de livros, a biblioterapia.



OUAKNIN, Marc-Alain. Biblioterapia. Tradução: Nicolás Niymi Campanário. São Paulo: Loyola, 1996. 341 p.


Que se passa quando um livro se encontra com o leitor? Qual a repercussão da leitura sobre nosso estado de ânimo: e sobre nossa saúde? De que modo, por meio do livro, da interpretação e do diálogo, o biblioterapeuta pode desatar os nós da linguagem e, a seguir, os nós da alma, obstáculos poderosos à vida e à força criadora? Trabalho de liberação e de abertura, a biblioterapia consiste em reabrir as palavras a seus sentidos múltiplos e manifestos, permitindo a cada leitor sair de todo fechamento, de toda depressão, para inventar-se, viver e renascer a cada instante. Ao introduzir a noção de movimento na linguagem, Marc-Alain Ouaknin, virtuose da leitura talmúdica e bíblica, grande conhecedor das teorias contemporâneas da leitura, explora o ineditismo da biblioterapia e nos leva a descobrir o que ele chama de a "força" do livro.

PEREIRA, Marília Mesquita Guedes. Biblioterapia: proposta de um programa de leitura para portadores de deficiência visual em bibliotecas públicas. João pessoa: UFPA, 1996. 105 p.



Um livro que aborda a proposta de um programa de leitura para portadores de deficiência visual em bibliotecas públicas utilizando a biblioterapia.






GARCÍA PINTOS, Claudio. A logoterapia em contos: o livro como recurso terapêutico. Paulus: São Paulo, 1999. 112 p.

O ser humano é um ser sempre incompleto, que vive e luta para se completar e que vai alcançando o seu objetivo ao longo da vida, de muitas maneiras, muito especialmente através e a partir dos veículos que vai constituindo. Assim, as relações familiares, sociais, de trabalho e os seus vínculos com a cultura o vão integrando como se fossem abraços que, ao apertá-lo, o unem cada vez mais nas suas próprias partes constitutivas. Dentro desta trama de relações, a relação terapêutica adquire uma tonalidade muito especial. Ela se insere no grupo das relações de ajuda, assumindo características próprias. Neste livro, o autor focaliza especialmente a letra, o livro, como um possível recurso terapêutico e apresenta exemplos concretos de prosa e poesia, que não esgotam a projeção maravilhosa de todo material que pode ser usado para este fim.

SEITZ, Eva Maria. Biblioterapia. Florianópolis: Habitus, 2006. 98 p.


Esta obra é uma contribuição para os estudos relacionados às diversas áreas que tratam do universo do pensamento e do relacionamento humano em consonância ao bem-estar físico. A autora colocou em prática o uso da biblioterapia, compartilhando suas idéias, seus estudos e sua experiência.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Conhecendo a Biblioterapia

Essa introdução é um trecho da minha monografia...

A biblioterapia é uma atividade que utiliza a leitura para ajudar as pessoas a lidar com os seus problemas, sejam de caráter social, emocional ou moral. Sua aplicação pode ser realizada em hospitais, prisões, asilos, orfanatos, escolas, bibliotecas, entre outros.

Ao ler ou ouvir uma história, o leitor se depara com um personagem com quem pode se identificar e participar de sua experiência, distanciando de seus próprios problemas. Ao mesmo tempo, encontra a possibilidade de encarar seus conflitos, sem medo, ansiedade ou autocrítica.

O ser humano através da leitura tem um envolvimento emocional com o texto, aplicando o que leu em sua própria vida. É essencial o papel da interpretação nas atividades biblioterapêuticas, pois é a oportunidade de unir a percepção objetiva e subjetiva. (OUAKNIN, 1996)

A biblioterapia é primariamente uma filosofia existencial e uma filosofia do livro, que sublinha que o homem é um ser dotado de uma relação com o livro. Dessa forma, essa relação com o livro – a leitura – permite ao homem compreender o texto e se compreender. O leitor, ao interpretar, passa a fazer parte do texto interpretado. A interpretação é a junção da explicação objetiva do texto e da sua compreensão subjetiva. A interpretação descobre um outro mundo, o mundo do texto, com as variações imaginativas que a literatura opera sobre o real. A biblioterapia, portanto, propõe práticas de leitura que proporcionem a interpretação dos textos (OUAKNIN, 1996, p. 200).

Há diferenças entre uma simples leitura e a leitura terapêutica. A primeira é superficial com intuito de entreter, já a segunda faz parte de um processo terapêutico, que requer uma relação mais profunda com o texto. Este processo consiste numa atividade interativa baseada em interpretação de textos, destacando o diálogo. O diálogo é o fundamento da biblioterapia (OUAKNIN, 1996), ou seja, as etapas de entendimento de um texto incluem a interpretação em grupos que é o mais importante, pois dá oportunidade de troca de informações além de proporcionar a garantia de que o paciente ou cliente não está sozinho.

Outro ponto relevante nesta atividade é a escolha do texto que deve ser lido, a “seleção e prescrição de livros de acordo com as necessidades dos pacientes, condução da terapia baseada em comentários de leitura, e avaliação dos resultados” é necessária (RATTON, 1975, p. 199). Os resultados são variados, dependendo do método utilizado (leitura, atividades lúdicas, hora do conto, e outros). É nesta etapa de escolha do texto que entra o papel do bibliotecário que deve conhecer tanto os livros como os leitores, e a partir daí definir os efeitos de colocar os dois juntos.

A biblioterapia nasceu dos termos derivados das palavras latinas biblion (livros) e therapein (tratamento), segundo Caldin (2001). Seu significado se resume basicamente ao tratamento por intermédio da leitura. Foi constatado na literatura que os conceitos de biblioterapia se convergem, tanto nos profissionais da área de informação como os profissionais da área de educação e de psicologia, porém sendo uma atividade interdisciplinar, cada área encara a importância deste método de forma diferenciada.

A biblioterapia, em seu histórico, começou a ser utilizado em áreas médicas e educativas e só foi aplicada à área de biblioteconomia no século XX. Rosa (2006, p. 21) dentro deste contexto conclui que devido ao fato de ter desenvolvido principalmente no ambiente dos hospitais e clínicas de saúde mental, a Biblioterapia foi aplicada quase de forma corretiva, e voltada para aspectos clínicos de cura e restabelecimento de pessoas com profundos distúrbios emocionais e de comportamento.

No Brasil esta atividade iniciou-se na área médica, aplicada principalmente por profissionais da área da psicologia. Aos poucos as áreas da pedagogia e da biblioteconomia foram se envolvendo nesta atividade. Atualmente vê-se a interação de profissionais de várias áreas trabalhando em conjunto para a aplicação de atividades biblioterapêuticas.

Os processos de aplicação da biblioterapia de acordo com Marcinko (1989) têm diferentes objetivos, podendo ser para desenvolvimento pessoal ou para processo clínico de cura. O trabalho da biblioterapia não se restringe a um tipo único de tratamento, sua aplicação é de caráter tanto preventivo quanto corretivo, pode ser então classificada em três tipos: institucional, clínica e desenvolvimental.

O processo de biblioterapia é tão variado quanto as suas definições, porém sua aplicação segue uma lógica. O processo biblioterapêutico compõe da vários componentes de acordo com Caldin (2001): catarse, humor, identificação, introjeção, projeção e a introspecção.

A aplicação da biblioterapia é basicamente empírica, pois todo o processo é analisado e estudado tendo como resultado um relatório que permite a avaliação das aplicações. Sendo assim, a biblioterapia é uma atividade de cunho científico e como tal precisa-se de estudos específicos para ser entendido, aplicado e aprimorado.


Referências Bibliográficas

CALDIN, Clarice Fortkamp. A leitura como função terapêutica: biblioterapia. Encontros Bibli : Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 6, n. 12, dez. 2001.
 
OUAKNIN, Marc-Alain. Biblioterapia. Tradução Nicolás Niymi Campanário. São Paulo: Loyola, 1996.
 
RATTON, A. M. L. Biblioterapia. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 4, n.2, p. 198-214, 1975.
 
ROSA, Aparecida Luciene Resende. As cartas de Ana Cristina César: uma contribuição  para a Biblioterapia. 2006. 82 f.  Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Vale do Rio Doce, Três Corações, MG, 2006.