sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A contribuição da Psicologia na Biblioteconomia

A utilização de conhecimentos da Psicologia ajuda o bibliotecário na compreensão e melhoria de suas atividades voltadas para o usuário. Em 1980, foi lançado no Rio de Janeiro pela editora Calunga o livro "A contribuição da Psicologia para o estudo dos usuários da informação técnico-científica", organizado e traduzido por Hagar Espanha Gomes. O livro apresenta três artigos que abordam a aproximação cada vez mais significativa da Psicologia no ramo do conhecimento bibliotecário.

Referência:
GOMES, Hagar Espanha (Org.). A contribuição da Psicologia para o estudo dos usuários da informação técnico-científica. Rio de Janeiro: Calunga, 1980. 71 p. Série Ciência da Informação.


O primeiro artigo, de autoria de D. J. Foskett, intitulado "A psicologia do usuário", propõe uma ligação entre as atividades científicas de modo geral, a aprendizagem, formação de conceitos, memória, criatividade, interpretação, e o trabalho do Bibliotecário, a quem cabe, entre outras tarefas, a organização da informação para que a informação desejada esteja acessível ao usuário.

O Segundo texto, escrito por S. R. Ranganathan, intitulado "Psicologia e natureza do trabalho dos usuários" trata do comportamento dos cientistas e do comportamento diferenciado do profissional da informação frente as necessidades dos pesquisadores.

O terceiro artigo, de M. N. Pereira, H. E. Gomes, L. V. Pinheiro e R. M. Oliveira, intitulado "A aplicação da técnica do incidente crítico em estudos de usuários de informação técnico-científica: uma abordagem comparativa", demonstra a utilização de tecnologia oriunda da Psicologia do trabalho e adaptada à compreensão dos problemas diversos em unidades de informação.

É uma publicação muito interessante que mostra a aproximação e contribuição da Psicologia e da Sociologia na nossa área.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Serviço de Biblioterapia

Você conhece o Books on Prescription?

É um método biblioterapêutico usado pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), em que em vez de prescrições de remédios, são prescritos livros.


A defesa da técnica se justifica no fato de que os livros sobre regimes de prescrição são uma forma de Biblioterapia, que, quando os livros certos são utilizados, pode trazer muitos dos benefícios de medicação convencional, sem os potenciais efeitos colaterais associados às drogas, e muitas vezes consegue bons resultados de forma mais rápida.




Para saber mais sobre essa técnica, veja a reportagem: http://p3.publico.pt/cultura/livros/10404/doentes-depressivos-quotaviamquot-receitas-na-biblioteca

Books on Prescription: http://www.booksonprescription.org.uk/

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Projeto de Lei 4186/12

A Câmara dos Deputados, desde 2012, está analisando a proposta que estabelece o uso da biblioterapia nos hospitais públicos e naqueles contratados ou conveniados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida está prevista no Projeto de Lei 4186/12, do deputado Giovani Cherini (PDT-RS).

Para justificar o Projeto de Lei, o deputado afirmou que pesquisadores já recomendam o uso da leitura em tratamentos médicos desde o início do século XIX.

Neste Projeto de Lei, defende-se que os materiais de leitura com função terapêutica só poderão ser prescritos e vendidos após autorização específica do Ministério da Saúde. Os livros autorizados terão um selo com a inscrição: “Recomendado pelo Ministério da Saúde”.


Os familiares dos pacientes também poderão participar das atividades de biblioterapia, desde que após prescrição médica. O texto também autoriza a venda de obras biblioterápicas em farmácias, drogarias e livrarias.

Pode-se imaginar que a partir do Projeto, a atividade biblioterapêutica terá uma maior divulgação, mas será que essa proposta vai de encontro com os princípios de uso da biblioterapia? Será que sua utilização será eficaz?

O Projeto de Lei pode ser acessado na íntegra no link: http://bit.ly/1eYP0ux
Para acompanhar a tramitação do Projeto dentro da Câmara, acesse: http://bit.ly/1e2JzJQ

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Resultado da pesquisa sobre Biblioterapia

Dois produtos vieram da pesquisa de mestrado sobre Biblioterapia, uma dissertação e um artigo. Para quem tem interesse, disponibilizo abaixo os links para visualização, basta clicar no título. Espero que gostem!



GUEDES, M. G. A biblioterapia na realidade bibliotecária no Brasil: a mediação da informação. 2013. 189 p. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

GUEDES, M. G., BAPTISTA, S. G. Biblioterapia na Ciência da Informação: comunicação e mediação. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, v. 18, n. 36, p. 231-253, jan./abr., 2013. ISSN 1518-2924. DOI:10.5007/1518-2924.2013v18n36p231

sábado, 24 de março de 2012

Bibliopsicologia

Na minha pesquisa sobre biblioterapia eu encontrei um termo curioso: bibliopsicologia (bibliopsychology). Inicialmente o considerei sinônimo de biblioterapia, um erro que muitos podem cometer. Esse termo surgiu dos estudos de Nicholas Rubakin. Seu conceito se fundamenta num fenômeno relacionado ao leitor e aos livros de seu interesse.

Fonte: Marcos Teixeira

O processo em si seria uma analise estatística da reação do usuário na leitura. Três situações são analisadas no processo: bibliopsicologia verbal, bibliopsicologia intraverbal e bibliopsicologia supraverbal que são etapas do entendimento do texto. A primeira fase seria o entendimento das palavras, a segunda fase se baseia no entendimento do contexto e a terceira fase estuda-se o aprendizado consequente do texto. Tais conceitos e processos relacionados a bibliopsicologia pode se relacionar a atividade biblioterapêutica na interpretação do texto.

A abordagem se torna interessante quando busca-se um estudo cientifico da psicologia cognitiva em se entender a leitura e como isso pode ser útil para a realidade bibliotecaria, no que diz respeito entender o usuário e disponibilizar a informação necessária. No livro "Nicholas Rubakin and bibliopsychology", publicado em 1968, mostra o estudo realizado e demonstra tanto sua fundamentação teórica quanto a avaliação realizada no processo.

O termo não foi mais utilizado desde então, nem achei nenhum outro estudo relacionado. Independente disso a leitura de suas teorias podem ser interessante para aqueles que gostam de aproximar a biblioteconomia e a psicologia como eu.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Uma receita para cada caso

Artigo sobre biblioterapia publicado pelo Correio Braziliense em 2010...


Correio Braziliense - DF, em 27/6/2010

A ideia de ler os livros certos e, de repente, ver seus problemas evaporarem é um tanto simplista. A bibliotecária e professora Maria Alice Borges alerta que uma escolha de títulos feita de forma inadequada pode não dar resultado algum. Para não correr o risco de errar na mão, ter sensibilidade para perceber as reais necessidades dos pacientes e o ambiente onde o trabalho está sendo feito é essencial.

Uma pessoa com tendências suicidas, por exemplo, não se beneficiará com leituras apenas sobre suicídio. “Você passa pelo tema, mas sob o ponto de vista de uma discussão, sabendo que nós poderemos chegar a uma situação igual a de outra pessoa que não tenha passado por isso.” Diferentemente de uma leitura banal, a biblioterapia busca dar informações sobre os problemas vividos e os resultados que se espera alcançar – que mudam dependendo do público-alvo abordado. “Se for em um hospital, você tem que ter uma literatura que não seja de reforço àquela dependência hospitalar, mas uma que mostre que aquela dependência é um período transitório para uma mudança”, ilustra a bibliotecária.

Ela explica que, quando o trabalho é feito com crianças abandonadas, por exemplo, o cuidado com os livros receitados deve ser redobrado. Para ajudar a minimizar os impactos da realidade já complicada em que vivem, os profissionais podem usar e abusar da imaginação. Das histórias com fantoches a livros de contos, o principal é minimizar as deficiências e reforçar a mensagem de que há sim uma realidade complicada, mas também alternativas para ela.

E foi para apontar alternativas a uma realidade triste que a bibliotecária Mariana Giubertti, 24 anos, resolveu se aprofundar no assunto.

Em 2009, a então estudante decidiu transformar a biblioterapia em projeto de conclusão de curso. Em um ano, Mariana mapeou e coletou dados em um orfanato, tendo como objetivo montar uma biblioteca infantojuvenil que usasse princípios da bilbioterapia. “Quis fazer isso não só para suprir as necessidades emocionais dessas crianças, mas para incentivá-las a ler, para que elas tomassem gosto por isso”, justifica.

O amor pela palavra impressa gerou não apenas o projeto de planejamento da biblioteca, mas também de uma brinquedoteca e de um ambiente de inclusão digital. A satisfação só não foi maior pela impossibilidade de ver tanto trabalho sair do papel. “Não pude aplicar o projeto porque o orfanato fechou”, lamenta Mariana.

A também bibliotecária Cristiane de Castro Pires, 22, teve mais sorte que Mariana. Assim como ela, Cristiane também elegeu a biblioterapia como tema principal de seu trabalho para se formar em biblioteconomia, no ano passado. Entretanto, o foco não eram crianças, mas pacientes com câncer. O primeiro passo foi, literalmente, fazer as devidas apresentações entre os pacientes e as obras. “Procurei livros que tinham imagens bonitas, porque muitos não sabiam ler ou não tinham o hábito ainda”, conta.
Quando a pesquisa acabou, veio a vontade de colocar a mão na massa.

Por enquanto, Cristiane conta que ainda está na fase de classificar os livros – todos vindos de doações.

“Quando a biblioterapia realmente começar, espero ter o auxílio de psicólogos e até de pacientes que gostam de ler e se disponham a ler para os outros”, diz. Segundo Sandra Bonfim Baptista, assistente social que também vestiu a camisa do projeto, a previsão é que o trabalho comece em julho deste ano. “A gente espera contribuir para que eles superem o tratamento e a dor da doença”, completa.

(Fonte: http://www.cultura.gov.br/site/2010/06/28/uma-receita-para-cada-caso/)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Por que ninguém lê direito no Brasil

Repostagem interessante sobre o hábito de leitura no nosso país. (Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI192851-15228,00-POR+QUE+NINGUEM+LE+DIREITO+NO+BRASIL.html)

O país nunca se sai bem na mais importante avaliação internacional de leitura. O que fazer para mudar essa realidade – em 40 anos
Camila Guimarães
Arquivo Pessoal etopic Photo Agency In
DIVERSIFICAÇÃO
O professor Luis Junqueira em sua aula de leitura. Ele dá textos de gêneros diferentes, para os alunos aprenderem a interpretar melhor
A cada três anos, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) compara o desempenho de alunos de 15 anos de diversos países em três áreas do conhecimento: leitura, ciências e matemática. Na próxima semana, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) vai divulgar como andam as habilidades de leitura dos jovens e até que ponto eles conseguem compreender um texto, localizar e associar informações, fazer um raciocínio lógico sobre elas e tirar conclusões. A prova foi realizada no ano passado por cerca de 50 mil alunos sorteados em 990 escolas públicas e particulares do país. A chance de o Brasil ficar bem colocado nesse ranking é diminuta. Em 2000, nossos alunos ficaram em último lugar. O país passou para a 37a posição em 2003, entre 41 nações. Em 2006, ficou em 48o entre 56 participantes, com uma nota pior que a anterior. Não há motivos para esperar que no Pisa 2009 o Brasil consiga uma posição melhor.

Não é que não tenhamos feito alguns avanços – o maior deles foi a universalização do ensino fundamental. Mas estamos longe de uma educação de qualidade, que inclui inculcar nas pessoas o hábito da leitura e desenvolver nelas a capacidade de compreender textos complexos. Para atingir essa meta, a escola precisa avançar muito. Não só ela, a sociedade também. Em alguns dos países líderes do ranking, como Finlândia e Canadá, o hábito de leitura vem de casa. Os pais influenciam, incentivam progressos nessa área, dão exemplo para seus filhos ao gastar tempo e energia com atividades culturais. A estrutura no país também é precária. O Brasil tem uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes (quase 70% das escolas públicas nem sequer têm uma). O brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano. Nos Estados Unidos e na França são dez. Na Finlândia, o país que mais ganhou o Pisa, 21.

Isso leva a crer que não devemos esperar grandes melhoras na leitura de um Pisa para o outro, e sim de uma geração para a outra. Como fez a Coreia do Sul. Há 60 anos, o país tinha altos índices de analfabetismo e quase metade das crianças e jovens fora da escola. Eles instauraram uma reforma educacional há 40 anos, apostando na leitura como base. Bibliotecas exclusivas para crianças, financiadas por empresas e fundações, tomaram conta de Seul. Uma das maiores redes, a Crianças e Bibliotecas, surgiu da iniciativa de um grupo de mães, preocupadas com o futuro dos filhos. Em 2006, a Coreia tomou da Finlândia o primeiro lugar em leitura no Pisa.

O ponto inicial desse processo é a escola. Nossos colégios não estão preparados para formar leitores – sejam eles de clássicos da literatura, gibis, jornais ou blogs na internet. Dentro das salas, o desafio começa pelos professores. Sem formação adequada, eles têm de ensinar o que não sabem. “Para que o aluno aprenda a ler, o professor precisa dominar a técnica da leitura”, afirma Mary Elizabeth Cerutti Rizzatti, do Núcleo de Estudos em Linguística Aplicada e professora da Universidade Federal de Santa Catarina. “Mas poucos tiveram a oportunidade de desenvolver a habilidade de ler um contrato das Casas Bahia ou um poema de Drummond.”

Quando os educadores não são eles próprios hábeis na interpretação de textos, pipocam projetos de leitura pouco eficientes. As rodas de leitura de livros literários, tão comuns em classes de qualquer idade, por exemplo. É claro que essa atividade é importante, especialmente para crianças, mas só ela não garante que o aluno entenda a questão de uma prova de matemática ou ciências, ou que se torne um bom leitor. Uma das maiores dificuldades é garantir que um leitor de conto de fadas se transforme em leitor de um texto de revista ou científico. Mas poucas escolas têm projetos de leitura para textos diferentes. “Uma criança que se dá bem lendo narrativas ou contos pode ser um desastre na hora de ler um texto informativo”, afirma Débora Vaz, diretora do Colégio Castanheiras, de São Paulo. Lá, a leitura em sala de aula é feita com a mediação do professor e com prioridade para ensinar gêneros diferentes. “O aluno mais fraco tem problemas em identificar o tipo de texto que lê, qual é a mensagem que ele passa e para quem”, diz Luís Junqueira, professor de português do 6º ano.

“A escola subestima a capacidade de leitura do jovem e não enxerga o leitor que ele é”
SIMONE ANDRÉ, do Instituto Ayrton Senna
A importância de ter habilidade de ler textos diferentes foi uma das principais razões de a Universidade de Campinas (Unicamp) mudar o formato da redação de seu vestibular. Neste ano, os candidatos a uma vaga na universidade tiveram de escrever três tipos de texto, de gêneros diferentes. “Errar o formato dos textos é mais grave que errar gramática”, diz Renato Pedrosa, coordenador do vestibular. “Infelizmente, a maioria não domina a leitura. E só quem tem essa habilidade vai se dar bem na universidade.”

Um dos tipos de leitura mais negligenciados pelos professores é justamente o mais cobrado em bons vestibulares ou pelo próprio Pisa: os enunciados informativos das questões. Por isso algumas escolas estão tirando a exclusividade do ensino da leitura dos professores de português – e dividindo a responsabilidade com o resto do corpo docente. Como fez uma escola pública de ensino médio s americana, a Brockton, do Estado de Massachusetts. Seus alunos, oriundos de comunidades carentes, tinham um péssimo desempenho nas avaliações estaduais e altas taxas de evasão (problemas parecidos com os do ensino médio brasileiro). Há dez anos, um grupo de professores começou uma campanha para estimular a leitura e a escrita em todas as disciplinas. Nos últimos dois anos, a escola ficou entre as 10% melhores de seu Estado.

Pela falta de estímulos em casa, no Brasil as escolas ainda assumem a tarefa extra de tornar a leitura interessante, principalmente para os adolescentes. E de novo se mostram inábeis: limitam a oferta de leituras a obras clássicas, difíceis de digerir, e obrigatórias. “A escola subestima a capacidade de leitura do jovem e não enxerga que tipo de leitor ele é”, diz Simone André, coordenadora da área de Educação Complementar e Juventude do Instituto Ayrton Senna, que trabalha com projetos de leitura em 200 escolas públicas de São Paulo. Na Finlândia não existe leitura obrigatória. Os alunos decidem com os professores quais livros vão ler e em quanto tempo.

Celso Renato Teixeira, diretor da escola estadual Luis Gonzaga Travassos, na periferia de São Paulo, descobriu em 2005 que seus alunos de 5a a 8a série gostavam de ler. Mas não o que a escola mandava. Um ano antes, quando chegou à escola, Teixeira deparou com um alto índice de analfabetismo funcional nas séries finais do ensino fundamental. Teve de dar prioridade a isso. Em seguida, pensou no projeto de leitura. Os alunos foram convidados a escolher na biblioteca da escola os livros de que mais gostavam. Na mesma época, a garotada visitou a Bienal do Livro em São Paulo e de novo os gostos pessoais ficaram perceptíveis. “A maioria escolheu livros que falavam sobre adolescência, namoro, relação com os pais”, diz Teixeira.
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ESTÍMULO
Crianças e jovens no espaço infantil de uma biblioteca na Coreia do Sul. Lá, o investimento em leitura deu retorno – em quatro décadas
Esses temas viraram iscas para os alunos. Aos poucos, a escola incentivou a passagem para outros tipos de leitura. Hoje, a biblioteca é abastecida com livros que os próprios alunos escolhem. Segundo Teixeira, alunos que antes não sabiam ler frases simples agora fazem resenhas dos livros – e os classificam com estrelas para recomendá-los aos colegas, em uma feira organizada toda semana. “Só entram os de quatro e cinco estrelas”, afirma Teixeira. Em cinco anos, os empréstimos na biblioteca aumentaram 79% e o rendimento da Travassos aumentou 33% na avaliação estadual.

O esforço dentro das escolas não basta. É mais difícil seduzir os alunos se eles não encontram fora do colégio (em casa, entre os amigos, na biblioteca do bairro) o mesmo ambiente de estímulo ao conhecimento. Eles acabam vendo o livro como uma “coisa de escola”. E, como a escola é uma obrigação, ler passa a ser considerado chato. Por isso, muitas escolas adotam projetos que envolvem os pais dos alunos. Há seis anos, a escola estadual Astor Vasques Lopes, em Itapetininga, interior de São Paulo, incluiu em seu projeto de leitura uma lição de casa para os pais. Os alunos do 1o ao 5o ano levam o livro para casa para ler junto com alguém da família. Pode ser o pai, a mãe, a avó. O importante é que quem leia faça um relatório sobre o livro, com suas impressões, e o mande para a professora. Com o filho matriculado na escola há pouco mais de um ano e meio, Roseli de Fátima Moreira diz que lê muito mais agora, depois de escrever relatórios e participar das rodas de leitura na escola. Ela diz ter comprado – e lido – por conta própria os dois primeiros livros da série Crepúsculo. “Eu me sinto mais estimulada.”

Os três casos citados nesta reportagem mostram avanços. Mas são progressos pontuais. Não há garantia de continuidade, seja pela falta de recursos ou por uma possível troca no grupo de professores. Mesmo colégios de elite, particulares, sofrem com a ausência de uma cultura da sociedade que estimule as crianças e os jovens a ler. Por isso, o resultado do Pisa 2009 deve ser similar ao de 2006. Se fizermos tudo certo (investir nas escolas, valorizar os professores, aumentar a carga horária, fornecer livros e material...), poderemos melhorar essa nota nos próximos anos. E só assim daremos condições para que a próxima geração dê o salto de que o país precisa para entrar na sociedade do conhecimento.